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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Lágrimas do Oriente

O drama da iraniana Sakineh Mohammadi-Ashtiani se agravou vertiginosamente nas últimas semanas com a divulgação da notícia de que a presa seria executada a qualquer momento. A notícia manteve em alerta as redações jornalísticas e as organizações pela proteção dos direitos humanos, exigindo a libertação de Ashtiani pelo regime islâmico. Este é apenas mais um resultado da restrição da liberdade em países controlados por fanáticos religiosos e fundamentalistas extremados.

Hoje com 43 anos, Ashtiani foi presa em 2006 acusada pelo assassinato do marido e por ter mantido relações sexuais com dois homens após ficar viúva, o que é proibido na nação dos aiatolás. A legislação do país governado pelo execrável Mahmoud Ahmadinejad sentenciou a prisioneira a duas penas de morte, sendo uma delas por apedrejamento.
Por maior que seja a mobilização de líderes e da população de vários países, o Irã se recusa a libertar Sakineh Ashtiani, tendo até detido sua advogada na semana passada. Este caso serve para mostrar as consequências de um regime totalitarista que se apodera de tal maneira da vida e da liberdade de seu povo. Em pleno século XXI, a proliferação de pequenas ditaduras capazes de chocar as sociedades democráticas é cada vez mais cotidiana.
O Irã não precisa ser excluído do cenário internacional. As relações comerciais para países como o Brasil são positivas, mesmo que não sejam fundamentais. Porém, as sanções tão condenáveis são o único modo coerente de atingir o governo ditatorial que assassina inocentes diariamente.
A população é quem paga o preço das sanções, de fato. Mas mesmo assim é a melhor alternativa, em paralelo a uma ação militar com grandes possibilidades de fracasso como a operação Iraqi Freedom, conduzida em 2003 por George W. Bush contra o Iraque, sem o consentimento da ONU e da maioria da comunidade internacional.
A cada dia que passa as ações contra o Irã ficam mais limitadas pelo poder de um soldado de chumbo. Um ditador travestido de democrata que se mostra capaz de fazer o mundo tremer com absurdos internos e com ameaças constantes aos vizinhos. Se não é possível derrubar o regime islâmico e libertar o país, que a luta pela libertação de Sakineh Ashtiani prossiga, e com ela o empenho em difundir a liberdade para aquela terra. Mesmo que coberta por um véu.

domingo, 14 de novembro de 2010

O Brasil de Dilma

Com o fim da campanha, o principal assunto agora é a transição do poder. Muito se especula sobre os rumos do novo governo, seus primeiros passos e sobre quais nomes integrarão o governo da presidente Dilma Rousseff.  Um deles já é conhecido. E bem conhecido.
O nome garantido é o de Antônio Palocci, ex-ministro do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e coordenador da campanha da presidente eleita, só não se sabe ainda em que pasta. A Casa Civil seria a primeira opção para o mentor de Dilma e ex-algoz do caseiro Francenildo, mas a possibilidade de Palocci substituir Guido Mantega no Ministério da Fazenda é real.
Essa é a prioridade da equipe de transição: designar Palocci a um cargo à altura das contribuições dadas pelo ex-ministro ao sucesso do PT nas urnas. Estando resolvida esta prioridade, e depois de instalar dignamente o PMDB nos vários ministérios que merece, começará o governo Dilma.
Não se pode torcer contra, nem acreditar que a “incompetência” da presidente eleita levará o Brasil à ruína já no dia 2 de janeiro, entretanto o país terá de se acostumar com a ideia de perder seu pai. Por oito anos o Brasil esteve envolto em um plástico de bolhas, protegido pela imagem mística de grande líder e estadista do presidente Lula.
Mais um mês e meio e esse Brasil entrará nos livros de história. Uma nova era se inicia. O eleitorado que se orienta primordialmente por carisma e raízes populares elegeu presidente alguém da alta burguesia e com pouca paciência. A política do “sem comentários” começará em breve e os brasileiros terão uma nova forma de fazer política, a forma técnica, burocrática e impopular.
O Brasil de Dilma é na verdade um Brasil Rousseff: soa bem, mas é de origem distante, com difícil pronúncia e compreensão. É mais bem entendido pelos endinheirados do que pelos pobres responsáveis por sua construção. São esperados bons resultados desse novo Brasil, até porque há 20 anos se constrói um novo país. Não iria tudo para o ralo de uma vez só pela mudança de governo.
O desafio principal para Dilma Rousseff não será apenas manter os bons números da economia e da ascensão social. O desafio será governar sem falar a língua do povo, mecanismo que permitiu seu antecessor errar diversas vezes e seguir errando sem prestar contas a um eleitorado majoritariamente opositor. Sempre teve todos ao seu lado.
Chegar ao Planalto foi só o começo. Agora é o momento de se mostrar abertamente ao povo. É o momento de mandar o padrinho popular tirar longas férias e lidar com os simpatizantes de Lula que são, agora, de Dilma. É a hora de encarar politicamente o Brasil sem o recurso da popularidade. E esse processo, padrinho nenhum blinda  ad eternum.

sábado, 13 de novembro de 2010

O começo

Depois de mais de um ano fora dos blogs, volto, dessa vez sozinho. Sem colaboradores fixos, como era o antigo Mundi News. Espero que nesse espaço possa levar ao leitor uma análise justa e coerente sobre os mais variados assuntos do cotidiano brasileiro e internacional, que é, para mim, a melhor forma possível de se fazer jornalismo.
Sem arrogância ou prepotência, tento contribuir da melhor maneira para que a minha visão seja útil para a construção da opinião de um público inserido em uma internet cada vez mais carente de senso crítico.
Escolhi o nome Base de Controle para que esse espaço funcione como uma grande central de operações, que sirva de canal para que todo pensamento relevante seja exposto e ecoe, dentro de suas possibilidades reais. 
Desde já agradeço o seu acesso e espero vê-lo aqui com a maior frequência possível.